quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Vestido


A interpretação bastarda dos ouvintes perante ao rei. O clamar contente pelo reinado despido de imoralidades. "Vida longa ao rei", era gritado por plebeus em suas vozes rocas. "Deus salve a rainha", era pronunciado pelo seu amante entre os comerciantes. Em um vestido caído sobre sua macia pele, a rainha guardava seu segredo entre tais vestes, e o despertar de sua libido por baixo de suas jóias. Aquele que ousou tirar a pureza e dignidade de sua própria rainha por trás de cortinas reais, aquele que teria sua cabeça arrancada a sangue frio se não fosse pela paixão que lá havia. "Deus salve a rainha", foi pronunciado novamente, e em seu andar de nobreza, sua rainha desceu os degraus perante o seu povo no hall. O vestido deslumbrante escorregava pelo chão, tendo a atenção que deveria ter sua coroa. Em um ato de prazer aquele vestido tinha sido arrancado, e perante a ocasião, recolocado. Em orações perante alguém, suas preces tinham sido em vão. O último degrau pisado, e durante seu ultimo suspiro forçado ela pôde olhar para o seu verdadeiro amor, aquele que um dia seria o motivo para ela deixar seus aposentos reais. Agora nas mãos do rei, seu amante admirava intrigado, o vestido de sua amada, que logo por outro seria rasgado.

sábado, 23 de março de 2013

Dose de época


"Por favor, mais uma dose". E enquanto a bebida cortava minha garganta, o som do violino parecia limpar minha mente de todos aqueles desagrados sentimentais. Aquela infelicidade por mostrar felicidade. Como aquelas pessoas sorriam pra destinos que não tiveram chance de mudar, para escolhas que não foram suas. Toda aquela simpatia de época me dava nojo, embrulhava meu estomago. Como podiam amar alguém que não puderam conhecer, ou simplesmente brindar a alegria infiel de outros. Estava completamente desgostosa com aquelas luzes e passos de dança repetitivos. Queria um cigarro para aumentar aquela fumaça de ingratidão e falsidade. "Quem é aquele rapaz?". Eu me perguntava no meio de tantas cinzas. Minha cabeça rodava conforme as cordas se movimentavam, minhas mãos tremiam como a de um drogado imune. Drogas, será que imaginavam que isso estaria sempre presente? Quando me levantava para ir até o bar, notava o meu vestido longo arrastando no chão e trazendo toda a pureza de uma mulher antiquada. Queria apenas mais uma dose, uma dose que pudesse me fazer esquecer. Quem me conduzia naquela noite era o meu passado e nada mais além dele.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Lembrar



Quando ela era pequena, costumava ouvir histórias sobre monstros e fantasmas, e ler pequeninos livros sobre princesas e príncipes encantados. Filmes de terror ou de contos de fadas estavam sempre ao redor de sua televisãozinha. E em torno de sua pequena cama, ela mantinha quem sempre esteve ali com ela. Parecia uma boneca, de tão delicada, mas sua mente era perversa, e até um pouco fora de época. Ela gostava de rock, e talvez de um pouco de pó mágico para poder voar, mas sua imaginação ia além de coisas passageiras, ela era infinita. De vez em quando podia se perder no encanto de sorrisos, e tentar atravessar a fronteira para a Terra da Nunca. Ou podia tremer por sentir que alguém iria deixa-la, e mais uma vez abandonada iria estar. Sua princesa andava ao lado de sua dama da morte, e ela podia escrever contos que nenhum poeta ou contador de historias jamais imaginou escrever um dia. Às vezes ela podia fazer o inferno subir a terra, ou a terra ir para níveis mais baixos. Mas ela podia também fazer com que anjos dormissem do seu lado. E apesar de tudo ela estava sorrindo, e apenas admirando o lago a sua frente. Ela poderia fazer de tudo uma monotonia, mas ela preferia arriscar e saber até onde sua mente a levaria. Enquanto isso, ela voltava para a cama, e ao encostar a cabeça no travesseiro de penas ela apenas pedia: “Ilumine-me e proteja-me, mas deixe que a luz dele brilhe sempre mais que a minha.”

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ser Mulher


Ser mulher é ter um lado de sua infância guardado. É saber assistir jogos de futebol ou de basquete torcendo realmente por um time. É gostar de super heróis não pela sua beleza e sim por seus poderes e vitórias. É dançar a noite toda, suar, e conseguir manter seu perfume. É poder comer o que gosta sem paranoia de que irá engordar e ninguém irá querê-la por isso. É saber se divertir em um campo ou rir de suas próprias palhaçadas. É poder sorrir apesar de tantos problemas. É poder chorar sem medo de a maquiagem escorrer com as lágrimas. É poder estar longe e mesmo assim ter o controle e o poder de cuidar de tudo que importa. É manter a cabeça erguida mesmo depois de machucada. É saber pedir perdão até por erros que não cometeu. É estar disposta a largar todo o trabalho do dia apenas para estender a mão para aquela amiga que acabou um relacionamento. Ser mulher é conquistar todos ao seu redor com delicadeza e simpatia. É saber que beleza e inteligência podem andar juntas. É saber que cada um tem seu jeito de ser, e aprender a conviver com isso se quiser aquela pessoa em sua vida. É saber dizer adeus mesmo nas piores horas. É ter defeitos e assumi-los sem vergonha do que vão falar. É discursar diante todos, mesmo estes estando contra sua opinião. É saber a diferença entre fazer amor ou sexo, e até mesmo preferir um ao outro. É sentir desejo, tesão e não esconder isso. É ter a loucura a flor da pele e ser feliz fora dos padrões normais da sociedade. Ser mulher é ouvir desaforos e manter a classe o suficiente para só gritar com a cabeça afundada no travesseiro. É perder a paciência, bater a porta na cara de alguém e depois surpreendê-lo com um café na cama. É ser sensual e sexy sem precisar de um short curto ou de um enorme decote. É dizer que ama alguém e saber que aquele amor é real. É sonhar e saber que aquele sonho poderá ser alcançado com determinação e fé. Ser mulher é sair de um casamento e ir em direção à praia, sem ter problema em molhar o vestido ou em descer do salto. É ter em sua boca o dom de falar palavras tão doces quanto à maciez de sua pele. Ser mulher é se apaixonar pela simplicidade, e ter seu mistério todo em apenas um olhar.

domingo, 15 de julho de 2012

Minutos de uma vida



À medida que o tempo vai passando, minha força ao seu lado vai aumentando. A cada passo dado, a cada lembrança vivida, a cada vitória e a cada partida. Das prioridades na vida, você esteve sempre no mais alto patamar. Cresci, construindo meu caminho com você. Destinos diferentes, desejos iguais. Os minutos passam, e o relógio irá parar no momento em que tivermos que deixar uma a outra. Se um dia a bateria acabar, eu irei até o inferno recarregar, mas jamais deixarei a nossa história de um fim participar. Ninguém sabe com quem está falando ao estar comigo, só você. Eu posso ter tentado manter minha força algumas vezes sem você, mas nada fui e nada serei. Se um dia sua felicidade acabar e não souber onde ou como encontra-la, eu estarei aqui, e lhe darei toda a minha se for preciso, não sei ser feliz sem poder ver seu sorriso. Tudo ficará bem, eu prometo. Por mais que eu não possa te ver, eu sei que está sempre aqui, e permanecerá. Nós temos mais do que um filme, mais do que uma música, mais do que qualquer pessoa teria, nós temos nossa vida, nós temos uma vida. Eu direi adeus um dia para morrer, mas do céu estarei, levando o ar até você, e te mantendo aquecida em qualquer inverno. Em tanto tempo é difícil falar qualquer coisa sem que lágrimas escorreguem pelo rosto. Nós temos toda a diversão, todo o amor em apenas um laço de irmãs. Perdoe-me se deixei alguma cicatriz em você ou se não fui capaz de fazê-la ficar bem depois de alguma decepção, perdoe-me por faltar quando alguma chuva inundou seu mundo. Dê-me mais uma chance, segure minha mão e não deixe que nesse novo caminho eu siga sozinha. Minha oração é feita por você, e meus pedidos são que seus sonhos estejam ao seu alcance. Lembre-se que você sempre vai ver a mesma lua que eu, em tempos diferentes, mas em um mesmo céu, em um mesmo coração. Sem você eu não seria nada do que sou, você não é responsável pela minha metade e sim por tudo que me completa. Eu disse que um dia a separação chegaria, mas prometi que não deixaria isso afogar o que existiu e o que guardei. Perdoe-me por partir, e por não estar mais com as mãos aqui para você em breve. Você sabe que o de novo existirá sempre pra nós, mas agora não temos para onde correr. Fique perto de mim, e faça disso mais uma história de nosso caminho. Será em seus braços que ficarei quando os anos passarem, será sempre em seus braços que me apoiarei. Faço das minhas lágrimas um sorriso seu para que disso eu nunca esqueça.  

Vilarejo


O sol caia enquanto a luz do luar se erguia. Em um fim de tarde agradável, bares levantavam suas portas, mesas postas, prontas para sua clientela sigilosa. Suas ruas alagadas faziam com que tudo ficasse mais úmido, o vento que batia nos rostos era leve e arrepiante. Luzes acesas vistas por fora de janelas, enquanto famílias permaneciam em suas casas esperando pela escuridão. Claridade em um vilarejo tão distante como todos que passaram por lá. Suas placas dos séculos passados, guardando recordações de escritores e pintores que ali estavam. Ruas de pedras, mas não a estrada de tijolos amarelos de OZ a ponto de leva-lo a onde precisava, apenas levava para onde mais desejava. As nuvens davam espaço às estrelas que ali iriam aparecer. A música começava a tocar, e o pianista mantinha todos ao seu redor a dançar. Homens com seus pincéis em busca de um rosto feminino capaz de esbanjar delicadeza e sensualidade. Alguns com tintas e papéis para seus sentimentos e histórias saírem em forma letras. Outros provocando os que estavam à beira de cometer pecados e cair em tentações. Todos estavam em seus lugares, com seus livros, telas, ou apenas com um copo de bebida na mão. Mas quem ali estava, buscava algo de diferente por aquele vilarejo, algo que só iria aparecer séculos mais tarde ou que tivesse aparecido séculos antes. Pintores e escritores permaneciam em seu próprio mundo, mas todos com visões de outras épocas.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Pesado pesadelo



Em um mundo imaginário entrou, sem promessas de volta, seu espirito ficou. Monstros surgiam em sua mente, e anjos fugiam de seu tormento. Era um quarto escuro com duas pessoas meramente conhecidas, uma janela para decida, que mostrava cenas passadas para serem restauradas e revividas. Em segundos, imagens apagadas, passos derrotados, sapatos rasgados. As pessoas sumiram por baixo de lençóis, sem deixar vestígios de para onde partiram e se foram sós. Uma porta a ser aberta, um medo do desconhecido que habita o outro lado, e do que poderá ser encontrado. Ao abrir, pessoas amarradas surgiam, e para muitos seus caminhos não existiam. Almas desnorteadas, um labirinto em um manicômio, com uma fé e seu abandono. Mascarados e pintados aterrorizando quem se atrevesse a sair de seus quartos mofados. Correntes clichês, dignas de filmes antigos, bizarros e com ar de assustador medíocre. Todos com direções opostas, recordações imaginárias e levezas compostas. Entrara novamente em seu quarto, fugindo do escuro, por trás de escadas amaldiçoadas e destroçadas. Deitada na cama ficou, em seu próprio tempo parou, chorou por querer partir, até que alguém do seu lado ficou, pronta para ajuda-la a prosseguir. Podia gritar para ser acordada, sendo ouvida por quem estava do outro lado, gritava e gritava: “Acorda, acorda, já está tarde para quem esteve na cova”. Até que seus olhos abriram, e de volta em seu quarto seus pensamentos diminuíram, com travesseiros ao seu redor, e seu lençol enrolado com um nó. De seu pesado pesadelo saiu, e no além a sua porta de entrada surgiu.