quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ser Mulher


Ser mulher é ter um lado de sua infância guardado. É saber assistir jogos de futebol ou de basquete torcendo realmente por um time. É gostar de super heróis não pela sua beleza e sim por seus poderes e vitórias. É dançar a noite toda, suar, e conseguir manter seu perfume. É poder comer o que gosta sem paranoia de que irá engordar e ninguém irá querê-la por isso. É saber se divertir em um campo ou rir de suas próprias palhaçadas. É poder sorrir apesar de tantos problemas. É poder chorar sem medo de a maquiagem escorrer com as lágrimas. É poder estar longe e mesmo assim ter o controle e o poder de cuidar de tudo que importa. É manter a cabeça erguida mesmo depois de machucada. É saber pedir perdão até por erros que não cometeu. É estar disposta a largar todo o trabalho do dia apenas para estender a mão para aquela amiga que acabou um relacionamento. Ser mulher é conquistar todos ao seu redor com delicadeza e simpatia. É saber que beleza e inteligência podem andar juntas. É saber que cada um tem seu jeito de ser, e aprender a conviver com isso se quiser aquela pessoa em sua vida. É saber dizer adeus mesmo nas piores horas. É ter defeitos e assumi-los sem vergonha do que vão falar. É discursar diante todos, mesmo estes estando contra sua opinião. É saber a diferença entre fazer amor ou sexo, e até mesmo preferir um ao outro. É sentir desejo, tesão e não esconder isso. É ter a loucura a flor da pele e ser feliz fora dos padrões normais da sociedade. Ser mulher é ouvir desaforos e manter a classe o suficiente para só gritar com a cabeça afundada no travesseiro. É perder a paciência, bater a porta na cara de alguém e depois surpreendê-lo com um café na cama. É ser sensual e sexy sem precisar de um short curto ou de um enorme decote. É dizer que ama alguém e saber que aquele amor é real. É sonhar e saber que aquele sonho poderá ser alcançado com determinação e fé. Ser mulher é sair de um casamento e ir em direção à praia, sem ter problema em molhar o vestido ou em descer do salto. É ter em sua boca o dom de falar palavras tão doces quanto à maciez de sua pele. Ser mulher é se apaixonar pela simplicidade, e ter seu mistério todo em apenas um olhar.

domingo, 15 de julho de 2012

Minutos de uma vida



À medida que o tempo vai passando, minha força ao seu lado vai aumentando. A cada passo dado, a cada lembrança vivida, a cada vitória e a cada partida. Das prioridades na vida, você esteve sempre no mais alto patamar. Cresci, construindo meu caminho com você. Destinos diferentes, desejos iguais. Os minutos passam, e o relógio irá parar no momento em que tivermos que deixar uma a outra. Se um dia a bateria acabar, eu irei até o inferno recarregar, mas jamais deixarei a nossa história de um fim participar. Ninguém sabe com quem está falando ao estar comigo, só você. Eu posso ter tentado manter minha força algumas vezes sem você, mas nada fui e nada serei. Se um dia sua felicidade acabar e não souber onde ou como encontra-la, eu estarei aqui, e lhe darei toda a minha se for preciso, não sei ser feliz sem poder ver seu sorriso. Tudo ficará bem, eu prometo. Por mais que eu não possa te ver, eu sei que está sempre aqui, e permanecerá. Nós temos mais do que um filme, mais do que uma música, mais do que qualquer pessoa teria, nós temos nossa vida, nós temos uma vida. Eu direi adeus um dia para morrer, mas do céu estarei, levando o ar até você, e te mantendo aquecida em qualquer inverno. Em tanto tempo é difícil falar qualquer coisa sem que lágrimas escorreguem pelo rosto. Nós temos toda a diversão, todo o amor em apenas um laço de irmãs. Perdoe-me se deixei alguma cicatriz em você ou se não fui capaz de fazê-la ficar bem depois de alguma decepção, perdoe-me por faltar quando alguma chuva inundou seu mundo. Dê-me mais uma chance, segure minha mão e não deixe que nesse novo caminho eu siga sozinha. Minha oração é feita por você, e meus pedidos são que seus sonhos estejam ao seu alcance. Lembre-se que você sempre vai ver a mesma lua que eu, em tempos diferentes, mas em um mesmo céu, em um mesmo coração. Sem você eu não seria nada do que sou, você não é responsável pela minha metade e sim por tudo que me completa. Eu disse que um dia a separação chegaria, mas prometi que não deixaria isso afogar o que existiu e o que guardei. Perdoe-me por partir, e por não estar mais com as mãos aqui para você em breve. Você sabe que o de novo existirá sempre pra nós, mas agora não temos para onde correr. Fique perto de mim, e faça disso mais uma história de nosso caminho. Será em seus braços que ficarei quando os anos passarem, será sempre em seus braços que me apoiarei. Faço das minhas lágrimas um sorriso seu para que disso eu nunca esqueça.  

Vilarejo


O sol caia enquanto a luz do luar se erguia. Em um fim de tarde agradável, bares levantavam suas portas, mesas postas, prontas para sua clientela sigilosa. Suas ruas alagadas faziam com que tudo ficasse mais úmido, o vento que batia nos rostos era leve e arrepiante. Luzes acesas vistas por fora de janelas, enquanto famílias permaneciam em suas casas esperando pela escuridão. Claridade em um vilarejo tão distante como todos que passaram por lá. Suas placas dos séculos passados, guardando recordações de escritores e pintores que ali estavam. Ruas de pedras, mas não a estrada de tijolos amarelos de OZ a ponto de leva-lo a onde precisava, apenas levava para onde mais desejava. As nuvens davam espaço às estrelas que ali iriam aparecer. A música começava a tocar, e o pianista mantinha todos ao seu redor a dançar. Homens com seus pincéis em busca de um rosto feminino capaz de esbanjar delicadeza e sensualidade. Alguns com tintas e papéis para seus sentimentos e histórias saírem em forma letras. Outros provocando os que estavam à beira de cometer pecados e cair em tentações. Todos estavam em seus lugares, com seus livros, telas, ou apenas com um copo de bebida na mão. Mas quem ali estava, buscava algo de diferente por aquele vilarejo, algo que só iria aparecer séculos mais tarde ou que tivesse aparecido séculos antes. Pintores e escritores permaneciam em seu próprio mundo, mas todos com visões de outras épocas.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Pesado pesadelo



Em um mundo imaginário entrou, sem promessas de volta, seu espirito ficou. Monstros surgiam em sua mente, e anjos fugiam de seu tormento. Era um quarto escuro com duas pessoas meramente conhecidas, uma janela para decida, que mostrava cenas passadas para serem restauradas e revividas. Em segundos, imagens apagadas, passos derrotados, sapatos rasgados. As pessoas sumiram por baixo de lençóis, sem deixar vestígios de para onde partiram e se foram sós. Uma porta a ser aberta, um medo do desconhecido que habita o outro lado, e do que poderá ser encontrado. Ao abrir, pessoas amarradas surgiam, e para muitos seus caminhos não existiam. Almas desnorteadas, um labirinto em um manicômio, com uma fé e seu abandono. Mascarados e pintados aterrorizando quem se atrevesse a sair de seus quartos mofados. Correntes clichês, dignas de filmes antigos, bizarros e com ar de assustador medíocre. Todos com direções opostas, recordações imaginárias e levezas compostas. Entrara novamente em seu quarto, fugindo do escuro, por trás de escadas amaldiçoadas e destroçadas. Deitada na cama ficou, em seu próprio tempo parou, chorou por querer partir, até que alguém do seu lado ficou, pronta para ajuda-la a prosseguir. Podia gritar para ser acordada, sendo ouvida por quem estava do outro lado, gritava e gritava: “Acorda, acorda, já está tarde para quem esteve na cova”. Até que seus olhos abriram, e de volta em seu quarto seus pensamentos diminuíram, com travesseiros ao seu redor, e seu lençol enrolado com um nó. De seu pesado pesadelo saiu, e no além a sua porta de entrada surgiu.  

domingo, 3 de junho de 2012

Maturidade



Sou imaturo por amar de mais, por perder demais, por errar demais. Sou imaturo por pensar demais, imaginar demais, sonhar demais. Imaturidade por querer, por correr e por se esconder. Talvez uma imaturidade por estar no caminho certo para mim e no errado pelos outros. Ser imaturo por uma atitude ou uma palavra, por demonstrar o que sente e falar o que acha. Uma pequena imaturidade por mentir um horário, passar por um atraso ou apenas por querer tudo. Sou considerado imaturo por dizer que posso aprender qualquer coisa, sentir qualquer coisa, e amar qualquer um. Sou imaturo por dar minha opinião, porque querer do meu jeito, por talvez ter dificuldades que outros não tenham. Imaturidade por beber, por um dia me drogar, por transar. Uma imaturidade por ter diversão e obrigação. Imaturo por não ter a capacidade de passar noites em claro apenas concentrado em trabalho. Imaturo por sorrir para quem não merecia. Imaturo por sofrer de menos por quem merecia lágrimas demais. Sou imaturo por gritar ao mundo e me virar contra ele quando necessário. Sou imaturo por bater o pé no chão para pegar impulso para um longo voo. Tanta imaturidade por não ser um espelho, não ter o reflexo de outros, e ter a consciência limpa em cima de qualquer atitude tomada, de qualquer lembrança requisitada. Sim, imaturidade, por não deixar que entrem na minha vida para estraga-la, por não permitir que queiram mudar ou destruir qualquer sonho que há em mim. Sou imaturo por ter a mente aberta e por aceitar todos do jeito que são. Talvez eu seja visto como imaturo pela minha idade, ou por estar à beira de um abismo e saber rir da situação. Uma imaturidade madura, aquela em que posso ser quem sempre quis, mudando ou não o mundo, fazendo ou não uma história, apenas eu, aquele em que a maturidade é grande o suficiente para saber que para o meu caminho eu tenho os melhores planos, e somente eu sou capaz de muda-los.  “Idade são números, maturidade é cabeça”.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu estou viva



Eu cometi erros repetidos, eu aprendi repetidamente. Eu chorei por um momento, eu sorri por um longo caminho. Eu disse adeus a quem não merecia, eu sofri por quem perdia. Eu li, reli, e vi as mesmas letras, as mesmas imagens, mas no fundo com sentido e cores diferentes. Eu dancei e cai, levantei e me ergui. Eu interpretei e interpretarei até meus últimos segundos. Eu me entreguei ao calor, eu amei ao luar. Eu corri de mim mesma, eu fugi da minha própria sombra. Eu senti medo, eu berrei, abri os olhos e notei que tudo não passava de um pesadelo. Eu pequei a cada porta, eu perdoei a cada entrada. Eu sonhei, eu realizarei. Eu rezei, orei, me ajoelhei a quem me levantava todos os dias. Eu protegi com todas minhas forças, eu guardei com todo meu cuidado. Eu menti para o bem, eu iludi para o mal. Eu insisti em ver o céu, eu resisti ao cair no inferno. Eu bebi as escondidas e cuspi em cada esquina. Eu lembrei, recordei, eu esquecerei. Eu fui cedo demais, eu voltei tarde demais. Eu me diverti, pulei, brinquei. Eu joguei, eu perdi, me enganei e ganhei. Eu escrevi detalhadamente, eu estudei quase tudo da minha mente. Eu cantei em todos os eixos e me encantei a cada desfecho. Eu me agarrei a uma pedra, eu me larguei em um precipício. Eu quis pular, saltar, mas preferi ficar. Eu morrerei, mas enquanto puder escolher viver, eu viverei e sentirei cada parte de mim mais viva, caminhando ao lado dos que estiveram aqui.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quase paraíso



Pensei em algo para dizer, apenas tão distante do seu olhar, eu poderia seguir sua voz até chegar a algum lugar. É tudo sobre você que eu vim dizer em questões sem respostas. Sentindo a única razão para não morrer, e não deixar viver. Tinha tempos que seguraria para não esquecer, por favor, seria o mais seguro. Mas para algo tão longe de mim e de você, poderia nunca mais rever. Fechando os olhos para viajar até onde nossa força iria. Eu gostaria de saber tudo sobre você e mais do que eu poderia imaginar, um “sobre” que me lembre de segundos apenas relembrados.  Fechando os caminhos que confiava do passado, partindo com o medo louco que podia dizer que meu coração mantinha aberto para meu amor que sangrava. Podia abrir aqui o que gostaria de ter fechado ontem, nada ao longo de vidas que um dia poderíamos esquecer. Talvez não queira dizer, e nem sentir, apenas dessa vez poder fechar os olhos e flutuar. Um rosto que mostrava um “quase paraíso” que nunca tinha visto pelos túneis que passei. Tudo que deveria fugir da minha mente permanecia por mais um dia, e continuaria até a esperança me levar até o meu “quase paraíso” de novo. Como deixei ir? Será que deixaria novamente se soubesse que ficaria sozinho essa noite? Poderia sentir o outro lado onde o vento cortaria meu rosto lembrando o adeus, o adeus mais certo que tinha dado embaixo da janela que me confortou, pretendendo que tudo ficasse bem, sozinho naquela noite. Tão perto de tocar o que sabia que voaria e nunca mais traria a sorte, o apagado de um deixado para trás, senti um amor melhor do que sentiria futuramente.