Em apenas um lugar que possa ser chamado de meu, e um amor
que possa ser guardado ao seu. Uma voz guardada para eu chamar de minha, sonhos
e tudo que eu pensei que já tinha. Quando descobrimos que a distância é maior
do que podemos alcançar, ou quando vemos aquelas pessoas indo embora com tudo
que deveria ter se realizado em nossas mãos. Dando um passo para trás pra saber
onde eu me perdi, onde eu cometi tantos erros que seriam a reflexão do que
sinto agora. O que eu vejo? Meus olhos estão embaçados pela chuva que eu criei.
Queria entender mais do que ter apenas pequenas razões para desabar. Eu me
lembro de quando segurei sua mão e você prometeu me guiar, mas agora só consigo
enxergar seus passos se distanciando, com a minha âncora em seus ombros, me
deixando pela sua fechadura. Eu desejaria ver o céu como eu via antes, com
todas aquelas estrelas capazes de me mostrar o que foi escrito nas minhas
linhas tortas. Ao som do mar poder tocar em um piano como se fosse a última vez
que tivesse aquela visão, a última vez que tivesse aquela música nos meus dedos.
Em seu olhar ver meu reflexo, e meu orgulho sendo quebrado em um espelho. E com
tudo enterrar o que me fez mal, junto com os anjos que abriram as asas para me
colocarem em seus braços. Mais uma vez sentir o que é divino a me proteger, e o
que é maligno se afastar do meu alcance. Com todo aquele ódio derramado nas
minhas lágrimas, eu queria ter tido o dom do perdão. Eu deveria ter
arrependimento em cima de toda a carga que carreguei, e então ter o amor de
volta para poder manter sua presença perto de mim, junto com todos os meus
sonhos que um dia foram amassados e abraçados. E hoje, por mais que eu tente me
equilibrar, minha força é em vão. Finjo esquecer e deixar com que tudo que eu
acreditava volte a me guiar, mas sua porta nunca foi fechada para eu poder
realmente dizer adeus.
domingo, 18 de agosto de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
O Vestido
A interpretação bastarda dos ouvintes perante ao rei. O clamar contente pelo reinado despido de imoralidades. "Vida longa ao rei", era gritado por plebeus em suas vozes rocas. "Deus salve a rainha", era pronunciado pelo seu amante entre os comerciantes. Em um vestido caído sobre sua macia pele, a rainha guardava seu segredo entre tais vestes, e o despertar de sua libido por baixo de suas jóias. Aquele que ousou tirar a pureza e dignidade de sua própria rainha por trás de cortinas reais, aquele que teria sua cabeça arrancada a sangue frio se não fosse pela paixão que lá havia. "Deus salve a rainha", foi pronunciado novamente, e em seu andar de nobreza, sua rainha desceu os degraus perante o seu povo no hall. O vestido deslumbrante escorregava pelo chão, tendo a atenção que deveria ter sua coroa. Em um ato de prazer aquele vestido tinha sido arrancado, e perante a ocasião, recolocado. Em orações perante alguém, suas preces tinham sido em vão. O último degrau pisado, e durante seu ultimo suspiro forçado ela pôde olhar para o seu verdadeiro amor, aquele que um dia seria o motivo para ela deixar seus aposentos reais. Agora nas mãos do rei, seu amante admirava intrigado, o vestido de sua amada, que logo por outro seria rasgado.
sábado, 23 de março de 2013
Dose de época
"Por favor, mais uma dose". E enquanto a bebida cortava minha garganta, o som do violino parecia limpar minha mente de todos aqueles desagrados sentimentais. Aquela infelicidade por mostrar felicidade. Como aquelas pessoas sorriam pra destinos que não tiveram chance de mudar, para escolhas que não foram suas. Toda aquela simpatia de época me dava nojo, embrulhava meu estomago. Como podiam amar alguém que não puderam conhecer, ou simplesmente brindar a alegria infiel de outros. Estava completamente desgostosa com aquelas luzes e passos de dança repetitivos. Queria um cigarro para aumentar aquela fumaça de ingratidão e falsidade. "Quem é aquele rapaz?". Eu me perguntava no meio de tantas cinzas. Minha cabeça rodava conforme as cordas se movimentavam, minhas mãos tremiam como a de um drogado imune. Drogas, será que imaginavam que isso estaria sempre presente? Quando me levantava para ir até o bar, notava o meu vestido longo arrastando no chão e trazendo toda a pureza de uma mulher antiquada. Queria apenas mais uma dose, uma dose que pudesse me fazer esquecer. Quem me conduzia naquela noite era o meu passado e nada mais além dele.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Lembrar
Quando ela era pequena, costumava ouvir histórias sobre
monstros e fantasmas, e ler pequeninos livros sobre princesas e príncipes
encantados. Filmes de terror ou de contos de fadas estavam sempre ao redor de
sua televisãozinha. E em torno de sua pequena cama, ela mantinha quem sempre
esteve ali com ela. Parecia uma boneca, de tão delicada, mas sua mente era
perversa, e até um pouco fora de época. Ela gostava de rock, e talvez de um
pouco de pó mágico para poder voar, mas sua imaginação ia além de coisas
passageiras, ela era infinita. De vez em quando podia se perder no encanto de
sorrisos, e tentar atravessar a fronteira para a Terra da Nunca. Ou podia tremer
por sentir que alguém iria deixa-la, e mais uma vez abandonada iria estar. Sua
princesa andava ao lado de sua dama da morte, e ela podia escrever contos que
nenhum poeta ou contador de historias jamais imaginou escrever um dia. Às vezes
ela podia fazer o inferno subir a terra, ou a terra ir para níveis mais baixos.
Mas ela podia também fazer com que anjos dormissem do seu lado. E apesar de
tudo ela estava sorrindo, e apenas admirando o lago a sua frente. Ela poderia
fazer de tudo uma monotonia, mas ela preferia arriscar e saber até onde sua
mente a levaria. Enquanto isso, ela voltava para a cama, e ao encostar a cabeça
no travesseiro de penas ela apenas pedia: “Ilumine-me e proteja-me, mas deixe
que a luz dele brilhe sempre mais que a minha.”
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Ser Mulher
Ser
mulher é ter um lado de sua infância guardado. É saber assistir jogos de
futebol ou de basquete torcendo realmente por um time. É gostar de super heróis
não pela sua beleza e sim por seus poderes e vitórias. É dançar a noite toda,
suar, e conseguir manter seu perfume. É poder comer o que gosta sem paranoia de
que irá engordar e ninguém irá querê-la por isso. É saber se divertir em um
campo ou rir de suas próprias palhaçadas. É poder sorrir apesar de tantos
problemas. É poder chorar sem medo de a maquiagem escorrer com as lágrimas. É poder
estar longe e mesmo assim ter o controle e o poder de cuidar de tudo que
importa. É manter a cabeça erguida mesmo depois de machucada. É saber pedir
perdão até por erros que não cometeu. É estar disposta a largar todo o trabalho
do dia apenas para estender a mão para aquela amiga que acabou um
relacionamento. Ser mulher é conquistar todos ao seu redor com delicadeza e
simpatia. É saber que beleza e inteligência podem andar juntas. É saber que
cada um tem seu jeito de ser, e aprender a conviver com isso se quiser aquela
pessoa em sua vida. É saber dizer adeus mesmo nas piores horas. É ter defeitos
e assumi-los sem vergonha do que vão falar. É discursar diante todos, mesmo
estes estando contra sua opinião. É saber a diferença entre fazer amor ou sexo,
e até mesmo preferir um ao outro. É sentir desejo, tesão e não esconder isso. É
ter a loucura a flor da pele e ser feliz fora dos padrões normais da sociedade.
Ser mulher é ouvir desaforos e manter a classe o suficiente para só gritar com
a cabeça afundada no travesseiro. É perder a paciência, bater a porta na cara
de alguém e depois surpreendê-lo com um café na cama. É ser sensual e sexy sem
precisar de um short curto ou de um enorme decote. É dizer que ama alguém e
saber que aquele amor é real. É sonhar e saber que aquele sonho poderá ser alcançado
com determinação e fé. Ser mulher é sair de um casamento e ir em direção à
praia, sem ter problema em molhar o vestido ou em descer do salto. É ter em sua
boca o dom de falar palavras tão doces quanto à maciez de sua pele. Ser mulher
é se apaixonar pela simplicidade, e ter seu mistério todo em apenas um olhar.
domingo, 15 de julho de 2012
Minutos de uma vida
À medida que o tempo vai passando, minha força ao seu lado
vai aumentando. A cada passo dado, a cada lembrança vivida, a cada vitória e a
cada partida. Das prioridades na vida, você esteve sempre no mais alto patamar.
Cresci, construindo meu caminho com você. Destinos diferentes, desejos iguais.
Os minutos passam, e o relógio irá parar no momento em que tivermos que deixar
uma a outra. Se um dia a bateria acabar, eu irei até o inferno recarregar, mas
jamais deixarei a nossa história de um fim participar. Ninguém sabe com quem
está falando ao estar comigo, só você. Eu posso ter tentado manter minha força
algumas vezes sem você, mas nada fui e nada serei. Se um dia sua felicidade
acabar e não souber onde ou como encontra-la, eu estarei aqui, e lhe darei toda
a minha se for preciso, não sei ser feliz sem poder ver seu sorriso. Tudo
ficará bem, eu prometo. Por mais que eu não possa te ver, eu sei que está
sempre aqui, e permanecerá. Nós temos mais do que um filme, mais do que uma música,
mais do que qualquer pessoa teria, nós temos nossa vida, nós temos uma vida. Eu
direi adeus um dia para morrer, mas do céu estarei, levando o ar até você, e te
mantendo aquecida em qualquer inverno. Em tanto tempo é difícil falar qualquer
coisa sem que lágrimas escorreguem pelo rosto. Nós temos toda a diversão, todo
o amor em apenas um laço de irmãs. Perdoe-me se deixei alguma cicatriz em você
ou se não fui capaz de fazê-la ficar bem depois de alguma decepção, perdoe-me por
faltar quando alguma chuva inundou seu mundo. Dê-me mais uma chance, segure
minha mão e não deixe que nesse novo caminho eu siga sozinha. Minha oração é
feita por você, e meus pedidos são que seus sonhos estejam ao seu alcance.
Lembre-se que você sempre vai ver a mesma lua que eu, em tempos diferentes, mas
em um mesmo céu, em um mesmo coração. Sem você eu não seria nada do que sou,
você não é responsável pela minha metade e sim por tudo que me completa. Eu
disse que um dia a separação chegaria, mas prometi que não deixaria isso afogar
o que existiu e o que guardei. Perdoe-me por partir, e por não estar mais com
as mãos aqui para você em breve. Você sabe que o de novo existirá sempre pra
nós, mas agora não temos para onde correr. Fique perto de mim, e faça disso
mais uma história de nosso caminho. Será em seus braços que ficarei quando os
anos passarem, será sempre em seus braços que me apoiarei. Faço das minhas
lágrimas um sorriso seu para que disso eu nunca esqueça.
Vilarejo
O sol caia enquanto a luz do luar se erguia. Em um fim de
tarde agradável, bares levantavam suas portas, mesas postas, prontas para sua clientela
sigilosa. Suas ruas alagadas faziam com que tudo ficasse mais úmido, o vento
que batia nos rostos era leve e arrepiante. Luzes acesas vistas por fora de
janelas, enquanto famílias permaneciam em suas casas esperando pela escuridão.
Claridade em um vilarejo tão distante como todos que passaram por lá. Suas
placas dos séculos passados, guardando recordações de escritores e pintores que
ali estavam. Ruas de pedras, mas não a estrada de tijolos amarelos de OZ a ponto
de leva-lo a onde precisava, apenas levava para onde mais desejava. As nuvens
davam espaço às estrelas que ali iriam aparecer. A música começava a tocar, e o
pianista mantinha todos ao seu
redor a dançar. Homens com seus pincéis em
busca de um rosto feminino capaz de esbanjar delicadeza e sensualidade. Alguns
com tintas e papéis para seus sentimentos e histórias saírem em forma letras. Outros
provocando os que estavam à beira de cometer pecados e cair em tentações. Todos
estavam em seus lugares, com seus livros, telas, ou apenas com um copo de
bebida na mão. Mas quem ali estava, buscava algo de diferente por aquele
vilarejo, algo que só iria aparecer séculos mais tarde ou que tivesse aparecido
séculos antes. Pintores e escritores permaneciam em seu próprio mundo, mas
todos com visões de outras épocas.
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